No dia 6 de Junho, abriu ao público a exposição “À volta da algibeira”, com a presença de muitos alunos da Universidade Sénior da Nazaré e público em geral, que assim animaram uma agradável tarde de domingo e relembraram o dia da inauguração do Museu Dr. Joaquim Manso, aberto ao público a 6 de Junho de 1976. Algibeiras em exposição
No dia 6 de Junho, abriu ao público a exposição “À volta da algibeira”, com a presença de muitos alunos da Universidade Sénior da Nazaré e público em geral, que assim animaram uma agradável tarde de domingo e relembraram o dia da inauguração do Museu Dr. Joaquim Manso, aberto ao público a 6 de Junho de 1976. Exposição | Nazaré: Memórias de uma Praia de Banhos
Desde o dia 18 de Maio, no Centro Cultural da Nazaré, está patente ao público “Nazaré: Memórias de uma Praia de Banhos”, exposição evocativa da realidade balnear da Nazaré entre finais do século XIX e os anos 1960.A exposição assume um carácter sobretudo documental e fotográfico, a partir do acervo do Museu Dr. Joaquim Manso e do levantamento junto da comunidade e de outros museus nacionais, complementando-se com a apresentação de objectos relacionados com os hábitos balneares.
Grande parte da sua informação é inédita, resultando de uma investigação desenvolvida pelo Museu Dr. Joaquim Manso e entrevistas junto de veraneantes, banheiros, antigos banheiros e seus familiares.
O percurso distribui-se pelos seguintes núcleos temáticos: “A moda de ir a banhos”; “À procura de saúde”; “Transportes e alojamento”; “O dia-a-dia de um banhista”; “Ser banheiro – uma transmissão hereditária”; “De banheiro a nadador-salvador”; “Barracas a Norte pescadores a Sul”; “Divertimentos de uma Praia de Banhos” e “Propaganda turística”.Venha conhecer ou relembrar a “Nazaré Praia de Banhos”, quando o banheiro ajudava a "dar o banho", os pesados bancos de madeira se distribuíam pelas barracas e toldos e eram motivo de brincadeira para a criançada. Não faltam os fatos-de-banho de princípio do século XX, os baldes e pás de folha e os divertidos “Robertos”. E, para terminar, a bolacha americana ou outros bolinhos, anunciados pelos pregões das suas vendedoras.
Até 20 de Junho, no Centro Cultural da Nazaré, junto à praia.
Horário: segunda a sexta-feira, das 9h30 às 13h e das 14h às 19h; sábado, domingo e feriados, das 15h às 19h
Local: Centro Cultural da Nazaré, junto à praia
Organização: Museu Dr. Joaquim Manso, com a colaboração da Câmara Municipal da Nazaré
O Museu Dr. Joaquim Manso agradece a todas as pessoas e entidades que colaboraram na organização desta exposição, nomeadamente pela sua disponibilidade para as entrevistas e pelo generoso empréstimo de fotografias, filmes, documentação e objectos.
Agradecimentos institucionais: Arquivo Distrital de Leiria, Capitania do Porto da Nazaré, Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, Escola Profissional da Nazaré, Museu do Brinquedo de Sintra, Museu Nacional do Traje, SA Marionetas – Teatro & Bonecos, Sol e Mar – Associação de Banheiros da Nazaré, Valente e Hilário Lda.
6 Junho | À volta da algibeira
No próximo dia 6 de Junho, o Museu Dr. Joaquim Manso comemora mais um aniversário.Inauguração: 6 Junho, 17h
Local: Museu Dr. Joaquim Manso
Várias actividades animaram o Dia Internacional dos Museus
Em 2010, o Dia Internacional dos Museus assentou no tema “Museus e a Harmonia Social”. Procurando reflectir sobre o seu contributo para a integração de todos os cidadãos e para o diálogo entre diferentes culturas e mentalidades, o Museu Dr. Joaquim Manso dinamizou um programa diversificado, que se estendeu pelos dias 18 e 19 de Maio, nas suas instalações, no Centro Cultural da Nazaré e na praia. Os alunos do 1º Ano do Curso de Animação Cultural do Instituto Politécnico de Leiria assumiram o desafio da sua concepção e realização.
No dia 18 de Maio, o Grupo Sénior do Centro Comunitário da Confraria de N. Sra. da Nazaré participou numa animada sessão musical no Museu, entre quadras originais, canções tradicionais e momentos de dança, aos quais se juntaram alguns turistas curiosos.
No Centro Cultural da Nazaré, a tarde foi tempo para a actividade “Conta-me como foi. Digo-te como será…”. Uma turma da E.B.1 do Bairro dos Pescadores do Agrupamento de Escolas da Nazaré e alunos da Universidade Sénior visitaram a exposição “Nazaré: Memórias de uma Praia de Banhos” e partilharam as suas vivências sobre a época balnear, culminando num momento de expressão pela pintura, na praia.
Ao longo do dia 19 de Maio, quatro turmas do Agrupamento de Escolas da Nazaré participaram no “Pirata em Rede”. Após a visita à exposição “Nazaré: Memórias de uma Praia de Banhos”, no Centro Cultural da Nazaré, todos os alunos envolveram-se numa concorrida gincana na praia, cuja temática incidia na exposição e na realidade nazarena. Por fim, alunos e professores participaram numa animada sessão de dança.
No Museu, “Embarcação de sonhos” deu a conhecer a Lenda da Nazaré e as suas vivências piscatórias a um grupo da CERCINA – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas. Um teatro de fantoches, pintura de barcos de papel e a simulação da navegação em alto mar marcaram as várias estratégias desta actividade, que envolveu emotivamente os utentes desta instituição, as alunas do IPL e os técnicos do Museu Dr. Joaquim Manso.
Mais do que o número de visitantes ou de participantes, nestas Comemorações interessou-nos sobretudo trazer ao Museu novos públicos; crescer em conjunto com alunos e participantes e perceber de que maneira este trabalho, cuja avaliação foi por todos tão positiva, pode efectivamente ter continuidade e frutificar…
O nosso agradecimento e reconhecimento a todos os que realizaram, participaram e apoiaram as actividades do Dia Internacional dos Museus 2010:
Agrupamento de Escolas da Nazaré, Capitania do Porto da Nazaré, Câmara Municipal da Nazaré, Cercina, Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (IPL) e Universidade Sénior da Nazaré.
Patrocínios:
Cafés Delta, GCT grupo, Modelo, Pastelaria Batel, Residencial Promontório, Valente e Hilário Lda., Zé Manel dos Bolos.
Noite dos Museus 2010
Na noite de 15 de Maio, a tenda montada pela Câmara Municipal da Nazaré no jardim do Museu Dr. Joaquim Manso encheu-se para assistir às propostas festivas que integraram esta instituição no evento europeu que, anualmente, abre as portas dos museus a partir do pôr-do-sol.
À entrada do Museu, os visitantes eram convidados para a inauguração da exposição “Nazaré: Memórias de uma Praia de Banhos”, através de uma apresentação multimédia. Ao longo das salas, eram surpreendidos por personagens vestidas com pormenorizados fatos de papel, que recriavam a evolução da moda desde os tempos romanos, a pintura renascentista, o tempo de Maria Antonieta até ao “agressivo” século XXII.
“Moda efémera” foi o resultado do trabalho de Artes do 11º Ano do Externato D. Fuas Roupinho.
Uma “Viagem Poética pela Lusofonia” deu a conhecer textos de escritores de países de expressão portuguesa, numa viagem iniciada e terminada na Nazaré, onde o mar é ponto de partida e regresso, de distância e aproximação entre os povos.
A participação do Externato D. Fuas Roupinho completava-se com um momento de Dança Hip-Hop.
O serão prosseguiu com o espectáculo proporcionado pela qualidade do grupo Amigos para Sempre “Nova Geração”, cujo repertório incluiu músicas de autores portugueses e brasileiros.
Agradecimentos:
Amigos para Sempre “Nova Geração”, Câmara Municipal da Nazaré, Externato D. Fuas Roupinho.
Patrocínios:
Cafés Delta, GCT grupo, Modelo, Pastelaria Batel, Residencial Promontório, Zé Manel dos Bolos.
Dia Internacional dos Museus | 18 Maio
Dia Internacional dos Museus18 de Maio, terça-feira
Inauguração da Exposição “Nazaré: Memórias de uma Praia de Banhos”
16h30
Local da exposição: Centro Cultural da Nazaré
Organização: Museu Dr. Joaquim Manso, com a colaboração da Câmara Municipal da Nazaré
Actividades Educativas “Museus e Harmonia Social”
O Museu Dr. Joaquim Manso, em parceria com 1º Ano do Curso de Animação Cultural da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, do Instituto Politécnico de Leiria, desenvolve nos dias 18 e 19 de Maio um programa de actividades vocacionado para diferentes públicos do concelho da Nazaré.
18 de Maio
14h30 – Actividades com o Grupo Sénior do Centro Comunitário da CNSN, no Museu Dr. Joaquim Manso
14h30 – “Conta-me como foi. Digo-te como será…”, actividade em articulação com a Universidade Sénior da Nazaré e o Agrupamento de Escolas da Nazaré, no Centro Cultural da Nazaré
19 de Maio
10h00 – “Embarcação de sonhos”, actividades com a CERCINA – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas, no Museu Dr. Joaquim Manso
9h30 às 17h30 – “Pirata em Rede”, actividades com o Agrupamento de Escolas da Nazaré, no Centro Cultural da Nazaré
No dia 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, a entrada no Museu Dr. Joaquim Manso será gratuita.
Noite dos Museus 2010
O Museu Dr. Joaquim Manso, no Sítio da Nazaré, integra-se mais uma vez nestas iniciativas, com um programa variado.
Noite dos Museus
15 de Maio, sábado
A Noite dos Museus é um evento europeu, por proposta do Ministério da Cultura e da Comunicação de França iniciada em 2005, ao qual se tem associado um número crescente de museus portugueses. No sábado anterior ao Dia Internacional dos Museus, acolhendo gratuitamente os seus visitantes, os museus abrem as suas portas e promovem iniciativas culturais e festivas desde o pôr-do-sol até cerca da meia-noite.
Local: Salas e Jardim Náutico do Museu Dr. Joaquim Manso
Horário: A partir das 21.30 h
21h30: "Moda efémera" e "Viagem poética pela Lusofonia”
22h: Dança Hip-Hop
pelos alunos do Externato D. Fuas Roupinho
22h15: Serão musical pelo grupo Amigos para Sempre “Nova Geração”Entrada gratuita.
Contamos com a sua presença! Venha passar a sua noite de sábado no Museu Dr. Joaquim Manso, ficando a conhecer mais sobre as suas colecções, assistindo a um sugestivo programa cultural e a um animado espectáculo musical.
Promoção de livros | Dia Internacional dos Museus
Compre algumas das publicações do Museu Dr. Joaquim Manso ou de outro museu do IMC, a preços muito convidativos.
Mais informações:
O que há na Loja
11 Maio | entrada gratuita
Todos os museus, palácios, monumentos e sítios tutelados pelo Ministério da Cultura mantêm-se abertos ao público no dia 13 de Maio, no seu horário normal.
Colabore na exposição "Nazaré Praia de Banhos"
Desde finais do século XIX, quando a “moda de ir a banhos” começa a ser divulgada entre os comportamentos sociais da elite e da população portuguesa em geral, a Praia da Nazaré surge como estância balnear muito procurada, o que se traduziu em movimentos demográficos muito característicos e impôs na população local práticas económicas muito particulares.Esta vertente turística da Nazaré determinou o seu crescimento urbanístico, a construção de edifícios esteticamente apelativos e a criação de estruturas de apoio e de animação.
Ainda hoje, para além da “Nazaré piscatória”, este aspecto é parte essencial da economia regional.
No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio), o Museu pretende organizar uma exposição sobre a "Nazaré - Praia de Banhos", que represente um período temporal entre finais do século XIX e os anos 1960.
A exposição assumirá um carácter sobretudo documental e fotográfico, a partir do acervo do Museu e do levantamento junto da comunidade, procurando-se complementar com a apresentação de alguns objectos.
Convidamos toda a população a colaborar nesta iniciativa, através do empréstimo de fotografias, filmes, fatos-de-banho e outros objectos relacionados com os hábitos balneares. As suas memórias, os seus comentários são igualmente importantes e permitirão reconstituir uma imagem da Nazaré que ainda hoje continua a atrair anualmente tantos "banhistas" e veraneantes, nacionais e estrangeiros.
Procure nos baús, recorde com os amigos e familiares... e não deixe de nos contactar!
Apresentação da obra "De uma família de mareantes"
A Confraria de N.ª Sr.ª da Nazaré, através do seu Arquivo Histórico, irá realizar no dia 24 de Abril, às 15h, no Salão Nobre do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio (Nazaré), uma sessão de apresentação da obra “De uma família de mareantes”, do Dr. João Afonso Machado, com prefácio do Dr. Pedro Penteado.Trata-se de um livro de história social que traça o percurso de uma das mais importantes famílias do antigo concelho da Pederneira que, nos séculos XVII e XIX, esteve intimamente ligada à Real Casa de Nossa Senhora da Nazaré. O seu membro mais ilustre foi o Bispo de Coimbra, Fr. Joaquim de Nossa Senhora da Nazareth (1776-1851).
Para a sua elaboração, o autor recorreu a fontes documentais provenientes de vários arquivos do país, entre os quais o da Confraria de N.ª Sr.ª da Nazaré.
A apresentação da obra estará a cargo do Dr. Pedro Penteado.
Alunos de Organização de Eventos da EPN vão colaborar com o Museu
A visita inseriu-se numa proposta de colaboração para a exposição "Nazaré Praia de Banhos", a inaugurar no dia 18 de Maio, no âmbito do Dia Internacional dos Museus.
Saiba mais no blog da Escola Profissional da Nazaré.
27 Março: Conferência “A herança nazarena”
A organização dos conteúdos temáticos tem subjacente uma lógica de “materialização” do património, já que se parte da apresentação de conceitos e exemplos do “Património imaterial e artístico”, passando pela questão do “Património marítimo”, que reúne elementos de essência imaterial e material, para finalizar com a temática do “Património arquitectónico”, que será o corpo metafórico desta materialização.
Os objectivos desta iniciativa passam pela identificação e formas de valorização dos patrimónios da Nazaré, procurando envolver a população, de modo a que os cidadãos possam assumir de modo informado e consciente um papel activo na salvaguarda dos bens que constituem a identidade nazarena.
A lógica de continuidade que subjaz a esta iniciativa torna imperativa a participação das gerações mais novas. Por esse motivo, foi intenção da LAN envolver individualidades e associações que de alguma forma podem contribuir para assegurar a dinamização de iniciativas futuras de cariz idêntico. Assim, assume-se que esta conferência deverá ser entendida como um ponto de partida para outras da mesma natureza.
Consulte o programa da conferência "A herança nazarena" (pdf).
O Museu Dr. Joaquim Manso associa-se a esta iniciativa da LAN, com uma comunicação no painel “Marítimo” e colaboração na produção de uma pequena exposição evocativa da herança artística na Nazaré.
As inscrições devem ser efectuadas pelo e-mail: liganazare@gmail.com
(A entrada é gratuita mas limitada ao número de lugares disponíveis.)
Localização: Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré
Morada: Av. Grupo Desportivo “Os Nazarenos”, 2450-291 Nazaré
Parcerias: Câmara Municipal da Nazaré, Jornal Região da Nazaré, Restaurante Adega Oceano
Colaboração: anazArt – Associação Nazarena de Artes Plásticas, Unimos – Associação Tecnológica, Museu Dr. Joaquim Manso
Universidade Sénior da Nazaré visita Museu
Tertúlia "Nazaré no Feminino" promoveu debate muito participado
Reflectir sobre o papel da mulher da (na) Nazaré e implicar os próprios agentes (entenda-se comunidade) nessa reflexão, foram os objectivos da tertúlia “Nazaré no feminino”, que decorreu no dia 8 de Março, no Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré, em colaboração com a Universidade Sénior da Nazaré.
Muito se tem discorrido sobre a importância da mulher nesta comunidade piscatória, a ponto de alguns autores a considerarem matriarcal, ou, segundo uma interpretação mais científica, matrifocal – “tipo de organização familiar em que a mulher assume o papel de chefe de família” (Trindade, 2009: 84).
Neste evento, a projecção de várias fotografias e textos literários elencavam as funções tradicionalmente atribuídas à mulher da Nazaré (e, por norma, a todo um litoral piscatório). A “mulher-mãe”, a “menina-mulher”, a “mulher modelo de beleza”, a “mulher sofredora”, a “mulher da fé e superstição”, a “mulher da conversa e exuberância”, a “mulher administradora do lar” (que chama a si a gestão da economia familiar e todas as tarefas relacionadas com o pescado, desde a sua chegada à praia), …
Terá sido o escritor Raul Brandão quem muito contribuiu, na literatura, para a exaltação do poder feminino na comunidade nazarena, nas suas páginas d' Os Pescadores (1923). Para o autor, “a mulher da Nazaré é a alma desta terra. (…) Da praia para cima só elas põem e dispõem”. Este louvor, à mulher que trabalha, infatigável, define-se por oposição ao homem que, chegado a terra, se entregava a uma vida de taberna.
No entanto, é legítimo discutir se esta distinção por género se restringe à Nazaré ou se foi comum a todo um litoral piscatório; se este entendimento foi alterado nas últimas décadas perante as transformações do próprio universo piscatório e da ocupação económica do tecido social nazareno; se a função de “governar a casa” era um “poder feminino adquirido” ou se não passava de uma “autoridade consentida” no binómio social homem / mulher, correlativo a mar / terra.
Para o antropólogo José Maria Trindade (2009: 87), a importância da mulher da Nazaré na vida social e familiar e a sua exuberância de atitude, vestuário e linguagem, contrastam, de facto, com a postura do pescador em terra, mais discreta. O interessante estudo promovido por Chistine Escallier (1999: 306), por sua vez, concluía que “as mulheres governam, mas são os homens que têm o poder”.
De acordo com a tradicional percepção de uma divisão sexual do trabalho – “pesca de homem / peixe de mulher” (Amorim, 2005: 659), a omnipresença das mulheres nazarenas nas actividades terrestres da economia de pesca foi, na verdade, fundamental durante muito tempo. Todas as fases da cadeia técnica, de desembarque do produto até ao consumo, passando pela sua transformação e comercialização, eram feitas pelas mulheres.
O trabalho executado na praia, o desempenho reprodutivo e a tomada de decisões / gerir os bens gizam o “perfil da mulher da praia, que a coloca como o principal agente de organização do trabalho” (Amorim, 2005: 671). A mulher era “determinante na sobrevivência familiar”.
A construção do Porto de Abrigo (1985), a modernização das pescas e a mudança sócio-económica dos últimos 30 anos, que transformou a Nazaré numa estância essencialmente turística e de serviços, mais do que piscatória, resultou no distanciamento das mulheres de um processo tradicionalmente seu. A mulher da Nazaré volta-se, então, para o turismo e para os serviços, teve a oportunidade de estudar e de seguir as suas carreiras profissionais.
Apesar destas transformações, as mulheres permanecem como elemento centralizador da família (Escallier, 2004: 24).
“Temos de ser nós mulheres a mudar o que ainda não mudou” na igualdade entre os géneros. Esta foi a mensagem deixada pela socióloga Maria Toscano, docente no Instituto Superior Miguel Torga, em Coimbra. A 8 de Março de 2010, cem anos do Dia Internacional da Mulher e permanece a questão: o que valeu a pena? O que ainda não foi feito?
Advém a conclusão de que a igualdade de oportunidades entre os géneros exige uma mudança da própria mulher enquanto educadora. Aceitando a diferença entre homem e mulher, que é incontestável!!, deve-se reconhecer que esta não impõe desigualdades. Apesar destas permanecerem graças ao contributo da própria mulher quando transmite e conserva determinados modelos de conduta. Com efeito, a relação da “mulher-esposa” com o elemento masculino da família não deixa de ser assumir como a continuidade da função “mulher-mãe”, daquela que cuida, que trata…
Segundo a socióloga, na Nazaré do século XXI, a modernidade é incontornável, mas tem de se encaixar na tradição. E para falar sobre a tradição do “ser mulher da Nazaré” foram convidadas, pela organização, as nazarenas Lurdes Petinga Almeida e Júlia Salvador.
Nascida nos anos 1960, professora de História, de “alunos que já não fazem ideia de como viviam os seus pais”, Lurdes Petinga começou por relembrar a sua própria história de vida, que não podia ser contada sem falar das mulheres da sua infância, umas “lutadoras”. Filha de pai pescador e mãe peixeira, cresceu entre a gente da Praia. Para si, a mãe, e sobretudo a avó, são uma referência. Mas, cedo percebeu que a lida do peixe e o trabalho doméstico “não eram para ela”. Sabia que “queria fazer outras coisas na vida” e, incentivada por outra mulher – uma professora, conseguiu vencer barreiras e prosseguir os estudos numa altura em que poucas o faziam.
Hoje, como professora, não deixa de fazer sentir às suas jovens alunas que devem saber muito bem o que querem para si; que devem saber aproveitar a oportunidade de estudar, dificilmente acessível na geração dos seus avós. Por outro lado, com orgulho pela sua herança familiar, admite que naturalmente reproduz o modelo em que foi educada.
Júlia Salvador é representante de uma geração anterior e, ao contrário de Lurdes Petinga, os seus estudos ficaram pela 4ª classe. Desde os 11 anos, teve de ajudar a mãe “na vida do peixe”. Aos 14 anos, já ia sozinha para Caldas da Rainha vender o peixe com outras mulheres. “Ia ao estendal”, salgava peixe para aguentar o Inverno, ia “vender fora de corrida” e ainda fazia o trabalho doméstico. O pai tinha uma arte xávega; trabalhava sobretudo no Verão, pelo que era pouco o seu sustento. A mãe, sempre muito poupada, ensinou-lhe que o importante era amealhar, fazer o enxoval e “casar bem”. Começou a aprender a costura, mas a esperança de ser costureira foi abandonada perante a dificuldade de a conciliar com a lida do peixe.
O “grande desgosto por não ter estudado” levou-a a garantir os estudos aos seus três filhos. Assim como Lurdes Petinga, estes beneficiaram da democratização da escola no pós-25 de Abril, embora as raparigas continuassem a ser apontadas pelo facto de prosseguirem os seus estudos.
Se se viam com dificuldades? “Não, porque não havia mais nada”. Com uma vida marcada por árduos momentos, Júlia Salvador reconheceu que deve à mãe a força que lhe permitiu aguentar as dificuldades. Foi ela a “grande mestra”.
Um debate muito participado demonstrou a identificação da plateia com as experiências destas mulheres e, sobretudo, revelou que, hoje, à Nazaré, interessa a discussão das problemáticas sociais contemporâneas, como a ausência da figura maternal em casa, a gravidez na adolescência, as “meninas que querem ser mulheres”, a educação sexual nas escolas, a exploração da imagem corporal da mulher e outros desafios que se colocam à mulher e à sociedade em geral.
A tertúlia “Nazaré no Feminino” inseriu-se no projecto “Conversas de Algibeira”, uma parceria entre o Museu Dr. Joaquim Manso e a Universidade Sénior da Nazaré, que envolverá várias disciplinas na realização de trabalhos inspirados na tradicional “algibeira” nazarena, “Objecto do Mês” de Março, exposto no Museu. Culminará numa exposição conjunta, no final do ano lectivo.
Contou com a colaboração da Biblioteca Municipal da Nazaré / Câmara Municipal da Nazaré (consulte a notícia no portal da CMN) e com o patrocínio do Grupo Miramar / Hotel Miramar Sul.
Poemas de Maria da Nazaré e de Laura Caetaninha, recitados na abertura e encerramento da tertúlia.
Painéis da exposição “Nazaré no Feminino” (pdf)
Referências bibliográficas citadas:
Christine Escallier (1999), “O papel das mulheres da Nazaré na economia haliêutica”, Etnográfica, Vol. III (2), pp. 293-308.
Idem (2004), “Activités et stratégies de survie dans une communauté de pêcheurs: le rôle de la femme dans l’économie touristique (Nazaré – Portugal)“, Arte e Ciência, 2.
Inês Amorim (2005), “Mulheres no sector das pescas na viragem do século XIX – formas de participação na organização do trabalho”, Arquipélago. História, 2ª série, IX, pp. 657-680.
José Maria Trindade (2009), A Nazaré dos pescadores. Identidade e transformação de uma comunidade marítima, Edições Colibri / IPL.
José Soares (2002), “Nazaré matriarcal. Um equívoco”, Os Mitos da Lagoa”, Nazaré, pp. 81- 94.